quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Hoje apaguei o teu beijo da minha janela.


Custa sentir o vazio da casa.
Já não sinto o teu cheiro na cama, o calor que o teu corpo me trazia.
A tua barba já não me pica e o meu cabelo cresce com o tempo.
A colcha não fica húmida com uma única respiração.
As gavetas da mesinha estão sempre vazias.

O sofá está limpo com a manta a cobri-lo.
Os armários da cozinha nunca estão cheios e cozinhar para um, tem um gosto diferente.
As canecas agora são só figuras engraçadas, mas não me dão vontade de rir, o elefante da carteira é apenas uma imagem e as chaves de casa não serão mais tuas, apenas minhas.
O teatro é visitado mas as minhas mãos permanecem pousadas nas próprias pernas e o meu carro imaculado.
Ligo o aquecedor todos os dias para me aquecer, a água quente do chuveiro não se esgota e agora tenho toalhas a mais para me secar.

A minha vontade de chorar é contínua, mas ainda assim, nem o melhor filme me vence.
As gravações ainda estão por ver, os livros por ler e as músicas por ouvir.
Os presentes futuros estão guardados e alguns passados, devolvidos.

Resta a lembrança do primeiro dia, do clima, da conversa, do filme, do beijo ...
A escrita não começa até que eu me lembre e eu só me lembro assim que acordo.


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