quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Hoje apaguei o teu beijo da minha janela.


Custa sentir o vazio da casa.
Já não sinto o teu cheiro na cama, o calor que o teu corpo me trazia.
A tua barba já não me pica e o meu cabelo cresce com o tempo.
A colcha não fica húmida com uma única respiração.
As gavetas da mesinha estão sempre vazias.

O sofá está limpo com a manta a cobri-lo.
Os armários da cozinha nunca estão cheios e cozinhar para um, tem um gosto diferente.
As canecas agora são só figuras engraçadas, mas não me dão vontade de rir, o elefante da carteira é apenas uma imagem e as chaves de casa não serão mais tuas, apenas minhas.
O teatro é visitado mas as minhas mãos permanecem pousadas nas próprias pernas e o meu carro imaculado.
Ligo o aquecedor todos os dias para me aquecer, a água quente do chuveiro não se esgota e agora tenho toalhas a mais para me secar.

A minha vontade de chorar é contínua, mas ainda assim, nem o melhor filme me vence.
As gravações ainda estão por ver, os livros por ler e as músicas por ouvir.
Os presentes futuros estão guardados e alguns passados, devolvidos.

Resta a lembrança do primeiro dia, do clima, da conversa, do filme, do beijo ...
A escrita não começa até que eu me lembre e eu só me lembro assim que acordo.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Verosímil Desejo

Quero tanto falar contigo. Não sei o que fazer. Me sinto tão só. Quero alguém que me abrace, que me ame, que me acarinhe.
Gostava que estivesses aqui e que o teu corpo me desse o aconchego que eu preciso para me fazer sentir seguro.
Tenho vontade de chorar, adormecer com lágrimas que escorrem dos meus olhos para o travesseiro.
Quando é que vou ter a oportunidade de te ter, de te ver, de te sentir…
Quero um amor que me renove. Quero um friozinho na barriga. Quero um sorriso que não vai embora. Quero a minha vida preenchida de momentos felizes. Quero você aqui.
Abro os olhos e só vejo o mesmo quarto, os mesmos objetos, as mesmas pessoas, os mesmos lugares… Volto a me entristecer com o que me apresentam, com o reflexo de uma sociedade suja, a verdadeira face dos que se entitulam, o espelho.
Não preciso de ti, preciso do conforto de um sentimento puro e da manifestação de uma agradável presença. Procuro poupar o que resta da inocência que um dia tive e se perdeu. Tento não me perder na imensa escuridao do que me rodeia.
Não desejo a ninguém muitas desgraças.
Por vezes alcanço a realização de não pensar no passado mas a tentativa de chegar ao teu futuro é sempre incerta e o descorajamento costuma ser grande quando não se tem o que pensar para além do mesmo.
Não te encontro quando quero e não te tenho porque assim nao se quer ainda. Pois quando estiveres do meu lado só peço, por um momento que seja, que não me perguntes nada. Apenas me abraces, me beijes, me ames …