quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Diálogo


Fui capaz de te ver, mesmo sem te sentir.
Mas apenas quando te senti, é que te pude ver realmente.

Gostava de te ter perguntado porque choravas,
Quando me apercebi que também o fazia e não sabia porquê.

Deixei então que o tempo passasse,
Para tentar perceber se os nossos corpos nos dariam a resposta.

Desviei o olhar e não fui capaz de o reaver.
Por instantes pensei ter perdido o seu toque,
Mas ainda sentia o seu calor.
Pensei que tudo tinha sido um sonho,
Mas depois me reintroduzi na realidade...

Por mais que eu quisesse, não conseguia largar.
E tu, tão desprendido da vida e de emoções,
Não deixaste, nem por um segundo,
Que os nossos corpos se separassem por completo.

Ambos procurávamos algo que desconhecíamos.
Respostas a perguntas que não fizemos.

De repente, fitá-mo-nos durante algum tempo.
Percebendo o que aquilo significava, mas sem o expressar.
Os olhares diziam tudo aquilo
Que os nossos lábios não eram capazes de pronunciar.

Num momento te perdi e pensei que já não sabias,
Mas quando voltaste, a certeza voltou contigo!

Por mais que nenhum de nós quisesse aceitar a verdade,
Esta era mais clara e simples do que nós alguma vez tínhamos sido.
E o silêncio era abrasador, mas tudo soava como um grito...


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